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| Núm. 14 de 2007 |
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OPINIÃO Paulo Pereira de Almeida,
Não só as campanhas contra os problemas do antigo "continente esquecido" adquiriram um novo fôlego, como há agora um outro olhar das grandes potências para os países africanos, nomeadamente em relação aos montantes de participação nas ajudas ao desenvolvimento. A China, por exemplo, prometeu duplicar a ajuda aos Estados africanos até 2009 - tendo já colocado cerca de 5 biliões de dólares em empréstimos preferenciais e créditos aos países africanos - um valor considerado recorde. Pelo seu lado, a União Europeia (UE) - o maior doador mundial na área do desenvolvimento, com as ajudas totais a atingir o montante de 48 biliões de euros em 2006, afecta mais de 13 biliões de euros a África. Além do mais, a UE distingue pela positiva os países da Lusofonia, que apresentam taxas de execução (montantes bem gastos) do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) entre os 75 e os 100 por cento. E nesta equação merecem destaque especial as taxas de execução de 100 por cento em Cabo Verde e de 95 por cento em Angola, indicadores importantes do seu grau de empenho no desenvolvimento da economia local e dos negócios. Ora, e a meu ver, este aproveitamento do principal instrumento da ajuda comunitária no âmbito da cooperação para o desenvolvimento na Lusofonia não se pode desligar de um outro importante fenómeno o da emergência de uma nova classe de gestores e de empresários - muitos deles diplomados pelas melhores universidades europeias e dos Estados Unidos da América - e que representam um novo capital humano de experiência e de contribuição para a excelência na condução dos negócios. Trata-se aqui de um grande salto que, ainda que lentamente, estas sociedades começam a dar: ter empresários qualificados e com uma visão de médio e longo prazo pode, justamente, ser aqui um factor catalisador para a mudança e para o desenvolvimento sustentado. Por outras palavras uma elite de gestão, autóctone, que seja capaz de se organizar e de gerir a distribuição de riqueza nos diferentes países pode significar, a prazo, um grande salto para na promoção do crescimento económico e da estabilidade financeira, sem esquecer o importante contributo para a diminuição da pobreza.
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